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Painel "Agenda em Movimento Pós-COP30" destaca desafios e oportunidades para o setor energético em um cenário de mudanças climáticas




Rio de Janeiro, 18 de março de 2026 – O painel “Agenda em Movimento Pós-COP30: Clima e Economia entre Novos Focos e Riscos Permanentes”, realizado na manhã desta quarta-feira durante o 16º Workshop PSR/CanalEnergia, organizado pela Informa Markets e PSR, reuniu especialistas para discutir os impactos das mudanças climáticas e os desafios da transição energética global. O evento trouxe reflexões sobre o mercado de hidrogênio, carbono, planejamento energético e os riscos regulatórios no setor elétrico.

Luana Gaspar, head de Descarbonização da PSR, destacou que o mercado global de hidrogênio tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado, com cancelamentos de projetos e dificuldades na implementação de iniciativas, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. A China, por sua vez, apresenta maior consistência na execução, embora o setor ainda enfrente incertezas. Segundo Luana, o avanço do hidrogênio depende de políticas públicas e mecanismos de incentivo, como leilões internacionais e programas nacionais. No Brasil, há expectativa de que o programa de hidrogênio de baixo carbono seja estruturado ainda este ano.

Ainda sobre a transição energética, Luana ressaltou que o mercado de carbono no Brasil está em fase inicial, com a regulamentação e a governança sendo etapas críticas para dar previsibilidade ao setor. Ela apontou que os mercados voluntários ainda têm baixa capacidade de orientar investimentos, mas que a criação de um mercado regulado pode trazer mais credibilidade e previsibilidade, como observado em outras regiões. “O mercado está nascendo, mas ainda precisa de estrutura, preço e previsibilidade para destravar investimentos em escala”, afirmou.

Julio Alberto, especialista em mudanças climáticas, enfatizou que o planejamento energético deve focar na intensificação de eventos extremos, como ondas de calor e secas prolongadas, em vez de se basear apenas em médias climáticas. Ele destacou que esses eventos são os principais responsáveis por pressionar o sistema elétrico e que o setor precisa adotar abordagens mais resilientes, considerando cenários de incerteza e variabilidade climática. “O planejamento precisa olhar para esses cenários mais severos, e não apenas para a média que aparece nos modelos”, concluiu.

Edmundo Grüne, especialista em planejamento energético, reforçou que a adaptação do setor elétrico às mudanças climáticas passa pela combinação de diferentes tecnologias, como geração térmica, armazenamento em baterias e fontes renováveis. Ele destacou que a diversificação é a chave para aumentar a resiliência do sistema em um ambiente mais incerto. “Não existe bala de prata. O que vemos é um mix de soluções, cada uma contribuindo com o que tem de melhor”, afirmou.

Gisella Siciliano, Team Leader de Regulação e Litígio da PSR, abordou os desafios regulatórios e jurídicos decorrentes das mudanças climáticas. Ela destacou o desalinhamento entre responsabilidades institucionais, como a manutenção de vegetação em vias públicas, que impacta diretamente as distribuidoras de energia. Além disso, chamou atenção para o avanço da litigância climática no Brasil, com ações judiciais que buscam responsabilizar empresas por impactos ambientais ou comunicações inadequadas sobre sustentabilidade. “Mesmo sendo um tema em estágio inicial, o potencial de impacto é grande. Não é algo para ignorar”, alertou.

O painel evidenciou a necessidade de ações coordenadas entre governos, empresas e sociedade para enfrentar os desafios climáticos e garantir uma transição energética sustentável e resiliente.