Workshop PSR/CanalEnergia debate inovação e desafios no setor elétrico brasileiro
O Bloco 3 do Workshop PSR/CanalEnergia, realizado pela Informa Markets e pela PSR, trouxe à tona discussões fundamentais sobre inovação e os desafios do setor elétrico brasileiro, com a participação de especialistas renomados. O painel, intitulado "A próxima onda: a inovação como diferencial competitivo e a energia como serviço", abordou temas como tecnologias emergentes, regulação, armazenamento e formação de preços.
Amanda Fernandes, Head - Redes da PSR, destacou o potencial do Dynamic Line Rating (DLR) para ampliar a capacidade de transmissão de energia sem a necessidade de novas linhas. A tecnologia ajusta, em tempo real, a capacidade das linhas de transmissão com base em condições operativas como temperatura, vento e radiação. Segundo Amanda, estudos indicam que o DLR pode aumentar a capacidade das redes entre 10% e 40%, mas seu avanço no Brasil depende da integração entre planejamento, regulação e operação.
Thais Sobrosa, Lead Specialist - Regulação e Litígio da PSR, apontou a falta de incentivos econômicos e sinais adequados de preço como entraves para a combinação de baterias com geração solar no Brasil. Apesar dos benefícios operacionais, como maior controle da produção e otimização de custos, a hibridização ainda não avançou. Thais destacou experiências internacionais, como os modelos de remuneração adotados no Chile e na Califórnia, que poderiam inspirar soluções para o mercado brasileiro.
Gabriel Cunha, Diretor Técnico - Estudos Internacionais da PSR, abordou a indefinição sobre a tarifação das baterias no sistema elétrico brasileiro, que dificulta o avanço do armazenamento. Segundo ele, a dupla tarifação, que cobra tanto no consumo quanto na geração, inviabiliza economicamente os projetos. Gabriel defendeu que tratar as baterias como geração seria a abordagem mais adequada para o Brasil, além de destacar a necessidade de consultas públicas sobre armazenamento. Ele também discutiu a falta de remuneração adequada para a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro, o que limita o avanço de tecnologias como baterias. Gabriel ressaltou que o modelo atual remunera a disponibilidade dos ativos, mas não a entrega efetiva de flexibilidade no momento necessário. Além disso, destacou que a implementação de um modelo de preços mais eficiente depende da integração entre operação física e mercado, com regras claras para formação de preços ex ante e ex post. Ainda sobre formação de preços, Gabriel apontou que a revisão dos limites de preço no mercado de energia pode fortalecer mecanismos de arbitragem e melhorar os sinais econômicos para tecnologias como baterias. Ele destacou que um sinal de preço adequado orienta decisões de operação, investimento e uso dos recursos, beneficiando todo o sistema elétrico.
Jairo Terra, head de Regulação e Litígio da PSR, avaliou que as baterias não foram competitivas no leilão de reserva de capacidade realizado em 18 de março, devido à exigência de disponibilidade contínua de energia, característica que favorece usinas térmicas. No entanto, Jairo destacou que, com um desenho de produto mais aderente às características do armazenamento, as baterias poderiam participar de forma competitiva em leilões futuros. Ele também analisou os resultados do leilão de reserva de capacidade, que contratou energia com preços próximos ao teto, indicando forte demanda por potência no sistema elétrico. Jairo reforçou a importância de discutir o desenho dos produtos contratados e os sinais econômicos associados, especialmente diante da evolução tecnológica e da entrada de novos recursos no sistema.
